MLUIZA VIVÊNCIAS


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Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 12h29
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NOSTALGIA

NOSTALGIA

 

Que mundo é esse em que estamos vivendo quando pessoas são colocadas numa jaula de vidro para diversão dos outros? Quão pobres são nossas vidas para tentarmos preenchê-las espiando a intimidade de outrem?

O dinheiro tornou-se tão importante que por ele todos os padrões morais podem ser quebrados e o sexo tão banalizado? Ou já não existem padrões morais?...

Por que nos deixamos imbecilizar pela mídia? Aliás, quanto mais idiotas, mais escravos do consumismo, mais lucro e melhor para o capitalismo e os donos do capital...

Somos manipulados como marionetes porque queremos tudo pronto para ser consumido e não nos preocupamos mais em pensar. Pensar dá trabalho... E as mentes se tornam cada vez mais preguiçosas... Ver televisão não exige quase nada de nossos cérebros, enquanto ler é se apoderar de um universo que demanda uma série de operações mentais. E o pior é que as nossas crianças estão indo pelo mesmo caminho...

Vivi uma infância maravilhosa. Brincava muito e nossa família era enorme, composta não apenas de nossos pais e irmãos, mas dos primos e tios.

Naquela época, tínhamos muito respeito pelos mais velhos e costumávamos tomar a benção de nossos pais e tios. Éramos, também, muito ligados aos vizinhos.

Toda vez que alguém mudava para a vizinhança, mamãe me obrigava a ir até a casa do novo vizinho, sempre com um prato de biscoito, doce ou outra guloseima qualquer, para oferecer os préstimos. Hoje ninguém nem se cumprimenta no elevador! E se você sorri para o porteiro, ele lhe devolve o mais escancarado dos sorrisos, pensando no íntimo, (quem sabe?...) que você é exótica...

Tínhamos regras rígidas de educação e nem questionávamos o que era certo ou errado. Se nossos pais o diziam, não havia motivo para duvidarmos, já que tínhamos neles uma confiança absoluta.

Brincávamos muito na rua: de roda, de pique, queimada, passar anel, correr pelas enxurradas, etc. Éramos livres e não temíamos nada, a não ser o escuro e os insetos.

Hoje, já na terceira idade, lembro-me, com enorme saudade, da minha infância e da minha adolescência. E sinto uma dor profunda quando penso no que é a vida de minha neta. Claro, ela não conheceu outra realidade e não deve sentir falta de nada. Contenta-se em brincar na escola, dentro de casa e no sítio (graças a Deus, pelo menos ela tem um sítio para ir e ter contato com a natureza...). Mas, quantas crianças não têm nada disso?...

Num mundo tão cheio de violência, em que o mal se banaliza, fico a imaginar, com enorme preocupação, qual será o futuro dela e de tantas crianças...

O que está acontecendo conosco? Que mundo fomos criar para nossos filhos e netos? Além do estrago que fizemos com o planeta, somos reféns do medo, numa sociedade em que os bandidos nos mantêm dentro de casas cercadas por muros altos e cercas elétricas.

Que valores estão norteando a vida de nossas crianças e de nossos jovens? Eles preferem um tênis novo, de marca, a um carinho nosso...

Sinto falta do mundo da minha infância, quando nossos pais colocavam cadeiras na rua para prosearem com os vizinhos, enquanto nós, os filhos, nos esbaldávamos de tanto brincar até a hora inflexivelmente marcada de ir para a cama.

Que saudade daquela vida simples em que podíamos ser tão felizes, sentindo-nos tão seguros, sob a vigilância amorosa e severa de nossos pais!

Gostaria que alguém pudesse me devolver esse tempo tão bonito, esse mundo em que havia confiança, solidariedade e amor.

Quantas noites viramos lendo romances de amor? Burlávamos a atenção de nossos pais apagando a luz cada vez que levantavam. Entretanto, se nos pegavam a ler, vinha a ordem peremptória e estraga-prazer: “Menina, apague a luz! Vá dormir! Está em fase de crescimento!”

 É com uma identificação absoluta que leio a frase de Arnaldo Jabor: “Vamos voltar a ser “gente”. Voltar a mostrar indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito... Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe? Precisamos tentar... Nossos filhos merecem e nossos netos nos agradecerão.”

 

                                             Maria Luiza Silveira Teles

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Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 00h16
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