Ainda se morre de amor...
AINDA SE MORRE DE AMOR... Ela era apenas uma menina quando ele a conheceu, uma menina que desabrochava para a vida de mulher. Bastou um único olhar para apaixonar-se. Este amor iria durar toda uma vida, mas um amor calado, sem esperanças, sufocado no peito. Em seu coração, ele a chamava de “princesa”. E como poderia uma princesa olhar para um simples empregado de seus pais? Ela era doce, gentil, educada. Parecia-lhe uma flor. Tratava-o sempre muito bem, como a qualquer um... Nem de longe poderia desconfiar daquele amor, pois ele era sempre respeitoso e, quando lhe falava, abaixava os olhos, talvez para que não pudesse ler neles aquele sentimento avassalador. Para que sua dor fosse maior, mas, ao mesmo tempo, para sua felicidade e orgulho, o pai da garota encarregou-o de olhar por ela, sempre à distância, para que ela não desconfiasse. Isto porque ela tinha saúde frágil e muitas vezes desmaiava na igreja, no cinema, com ele sempre ali a amparando. Quando ela voltava dos desmaios era sempre o olhar dele, aquele olhar temeroso e cheio de carinho, com o qual ela se deparava primeiro. Além do problema da saúde, ela começava a chamar a atenção dos rapazes e o pai o encarregara de não deixar nenhum se aproximar dela. Morou algum tempo em casa dela e aprendeu com os pais e com ela própria uma ética que nortearia toda sua vida. Sempre justo, honesto, verdadeiro, gentil. Estes seriam os mesmos valores que, um dia, ele passaria para seus filhos. Tinha um enorme e grosso caderno, ao qual ninguém nunca teve acesso, no qual ele ia escrevendo seus versos para a princesa. Um dia, porém, - sempre chega este dia – a vida os separou. Ele continuou vivendo uma vida pela metade, pois ela lhe faltava. E ela se lembraria muitas vezes dele como um irmão que ficara pelo caminho... Ele se casou com outra e constituiu uma bela família, mas sempre com a lembrança doída daquele amor que seria eterno. Separou-se da mulher, pois é sempre difícil viver com uma e ter outra no coração... Seu caderno continuava registrando suas dores, sua saudade, o abismo de sua alma e os desertos difíceis por onde teve que andar... Ele precisava encontrá-la! Mas, pensava, era uma loucura! Ela teria sua vida, deveria estar casada e com filhos. Além disso, com a inteligência que já naqueles tempos demonstrava, deveria ser alguém muito importante. Ninguém pode prever as voltas que este mundo dá. Pois não é que, já na terceira idade, sentindo que a vida o abandonava, ele conseguiu encontrá-la?! Ela continuava com aquele jeito simples e doce de menina! Descobriu que, realmente, ela era muito importante, mas quem o diria com aquela humildade?! Abraçou-o feliz e aquela chama virou uma labareda que tomou conta de seu ser. A viagem para encontrá-la foi muito dura e difícil para ele, mas valeu poder estar com ela! Não a perderia mais! Mês após mês, ele sempre lhe telefonava. Agora, já não tinha mais vergonha de lhe falar daquele amor que o consumira por uma vida! Afinal, ela estava só e ele também e as distâncias sociais que, antes, os separaram eram insignificantes nos dias de hoje... Pediu-lhe cartas e ela lhe escreveu. Pediu uma foto e ela enviou-a. Pediu que fosse visitá-lo e ela concordou. Marcou a viagem e ele preparou tudo, com enorme zelo, para recebê-la como uma princesa, o que ela verdadeiramente era e fora sempre para ele. O destino, porém, foi impiedoso e, nos dias do embarque, problemas familiares a impediram de viajar... Como ele sofreu! As forças o abandonavam... Ela seria a única luz que poderia devolver-lhe a vida! Mas ela não foi... Continuaram, porém, a falar-se pelo telefone. Foram quatro anos, sem forças, com a moléstia o devastando, apesar da pouca idade. E não morria a esperança, como ele próprio dizia, de entregar-lhe aquele beijo guardado há tanto tempo! Ele precisava de uma cirurgia urgente no coração e ela animou-o muito para fazê-la, mas ele não quis. Disse-lhe que preferia morrer em sua cama a fazê-lo numa sala de cirurgia. Ela retrucava: “mas não é para morrer, é para viver mais!”. Ele, porém, não acreditava que sobreviveria... O telefone não tocou mais e o coração dela oprimiu-se. Uma angústia não a abandonava. Teve vontade de ligar, mas teve medo... medo daquilo que seu coração já tinha lhe avisado... Depois de três meses, tomou coragem e ligou. A filha atendeu. O coração dela disparou. Disse que queria falar com o pai e um longo silêncio se seguiu... Quando a moça conseguiu falar, disse-lhe: “não tivemos como avisar a senhora...”- “avisar-me de que?” – pergunta besta quando já sabia a resposta... “Parece que ele tinha o telefone da senhora na cabeça, pois não o encontramos em nenhuma agenda...”. E a frase-punhal veio certeira: “Ele faleceu há três meses”. Como podia ser? Levara com ele aquele imenso amor? Aquele beijo nunca dado? E, agora, mais do que nunca, ela se sentia só. Vida cruel! E agora? Repetia bobamente... Alguém se importa? Não, ninguém! Cada um tem sua história e que importa ao mundo a morte de alguém que morreu de amor?... Maria Luiza Silveira Teles
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 23h16
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RÉQUIEM PARA AMIGA

A primavera se anunciava com o céu claro, o sol ardente e as flores se abrindo. Numa manhã assim, sem aviso prévio, uma alma de luz voltou para a Casa do Pai. A luz do dia era pequena comparada a sua própria luz. Por onde passava, espalhava-a, derramando paz. Desde criança, lutou bravamente contra uma doença auto-imune que ameaçou sua vida tantas vezes. Mas, ela não era de se deixar abater facilmente. Seu bom-humor, sua força não davam tréguas à doença. Ela era aquela mulher forte de que fala a Bíblia. Entregue, dia e noite, ao trabalho, suas mãos de abençoada habilidade criavam verdadeiras obras de arte. Era calada. Ouvia mais do que falava. Confidente e amiga de tantos jovens que seu velório vestiu-se da beleza da juventude, qual bando de passarinhos chilreando num canto melancólico. Este foi o maior enfeite de sua despedida, pois ela, na sua simplicidade, já havia pedido um velório sem coroas e adereços. Ela parecia se apoiar nas palavras de Santa Teresa d’Ávila: “Nada te perturbe, nada te assuste. Tudo passa. Deus é imutável. A paciência tudo alcança. A quem possui Deus, nada falta. Deus é plenitude”. Só nós, que privávamos de sua intimidade, conhecemos suas bravas batalhas: as cirurgias, a hemodiálise, os transplantes, o caminho espinhoso sem o apoio do companheiro, a criação do filho, que ela tanto amou e desejou... Irmanadas na luta pela mesma doença auto-imune, costumávamos dizer: “Somos duras na queda. Tiramos tudo de letra”. Mas, ela sofreu muito mais do que eu, pois, por uma benção, que nem sei se mereço, a doença, até agora, não me atacou os rins. E, depois de problemas tão graves, dois transplantes, quando se livrara finalmente da hemodiálise, numa cirurgia simples de hérnia, quando nenhum de seus amigos se preocupou porque sabíamos que isso para ela não era nada, sua alma resolveu voar rumo ao infinito, deixando-nos órfãos. Pegou-nos a todos de surpresa. Amante da vida como era, sei que não gostaria de nos ver tristes. Mas é que a ausência de um ser amado dói muito. Por mais que tenhamos uma visão esperançosa da morte, por mais que pensemos que estamos preparados. A ausência é sempre dolorosa. Não ver mais aquela fisionomia de paz, não assistir suas mãos habilidosas criar novas belezas, não ouvir sua voz paciente... tudo isso é por demais doloroso! Gostaria de ter convivido mais com ela, aprendido, de verdade, a lição suprema da humildade, da paciência, da solidariedade, da resignação. Nunca ouvi de sua boca uma única reclamação. Sempre que a gente perguntasse, a resposta era sempre a mesma: “Tudo ótimo”. Mesmo quando seu irmão caçula se foi, de morte súbita e prematura, ela não se queixou. Sua dor foi calada. Mãe de tantos... Um pouco mãe de minha própria filha, a chamada Dinda de minha neta, por ser madrinha de seu melhor amiguinho... Ah, Nádia, o mundo pode não ter tomado conhecimento de sua bela jornada. Mas, para mim e para todos que a conheceram, você era um mundo de ternura. Para todos nós sua partida foi triste e haveremos de sentir muito a sua falta. Pessoas vazias, cheias do próprio ego, vaidade e orgulho, tantas vezes recebem homenagens grandiosas. Mas, pessoas grandes como você passam despercebidas para aqueles que estão envolvidos apenas com seus objetivos menores de suas vidas sem grandeza alguma. Depois de tê-la conhecido e convivido com você por mais de trinta anos, mais cresce a minha convicção de que pessoas “cheias de Deus”, as pessoas santas são sempre silenciosas e humildes. Esteja em paz, minha amiga e me perdoe se não me doei mais a você! Aqui continuamos nós na espera do reencontro. E como tão bem disse São João da Cruz: ”O amor não cansa e nem se cansa”. E você era só amor. + Minha amiga se foi em 19 de Setembro de 2009.
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 16h57
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clip Zorba, o grego
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Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 12h29
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NOSTALGIA
NOSTALGIA Que mundo é esse em que estamos vivendo quando pessoas são colocadas numa jaula de vidro para diversão dos outros? Quão pobres são nossas vidas para tentarmos preenchê-las espiando a intimidade de outrem? O dinheiro tornou-se tão importante que por ele todos os padrões morais podem ser quebrados e o sexo tão banalizado? Ou já não existem padrões morais?... Por que nos deixamos imbecilizar pela mídia? Aliás, quanto mais idiotas, mais escravos do consumismo, mais lucro e melhor para o capitalismo e os donos do capital... Somos manipulados como marionetes porque queremos tudo pronto para ser consumido e não nos preocupamos mais em pensar. Pensar dá trabalho... E as mentes se tornam cada vez mais preguiçosas... Ver televisão não exige quase nada de nossos cérebros, enquanto ler é se apoderar de um universo que demanda uma série de operações mentais. E o pior é que as nossas crianças estão indo pelo mesmo caminho... Vivi uma infância maravilhosa. Brincava muito e nossa família era enorme, composta não apenas de nossos pais e irmãos, mas dos primos e tios. Naquela época, tínhamos muito respeito pelos mais velhos e costumávamos tomar a benção de nossos pais e tios. Éramos, também, muito ligados aos vizinhos. Toda vez que alguém mudava para a vizinhança, mamãe me obrigava a ir até a casa do novo vizinho, sempre com um prato de biscoito, doce ou outra guloseima qualquer, para oferecer os préstimos. Hoje ninguém nem se cumprimenta no elevador! E se você sorri para o porteiro, ele lhe devolve o mais escancarado dos sorrisos, pensando no íntimo, (quem sabe?...) que você é exótica... Tínhamos regras rígidas de educação e nem questionávamos o que era certo ou errado. Se nossos pais o diziam, não havia motivo para duvidarmos, já que tínhamos neles uma confiança absoluta. Brincávamos muito na rua: de roda, de pique, queimada, passar anel, correr pelas enxurradas, etc. Éramos livres e não temíamos nada, a não ser o escuro e os insetos. Hoje, já na terceira idade, lembro-me, com enorme saudade, da minha infância e da minha adolescência. E sinto uma dor profunda quando penso no que é a vida de minha neta. Claro, ela não conheceu outra realidade e não deve sentir falta de nada. Contenta-se em brincar na escola, dentro de casa e no sítio (graças a Deus, pelo menos ela tem um sítio para ir e ter contato com a natureza...). Mas, quantas crianças não têm nada disso?... Num mundo tão cheio de violência, em que o mal se banaliza, fico a imaginar, com enorme preocupação, qual será o futuro dela e de tantas crianças... O que está acontecendo conosco? Que mundo fomos criar para nossos filhos e netos? Além do estrago que fizemos com o planeta, somos reféns do medo, numa sociedade em que os bandidos nos mantêm dentro de casas cercadas por muros altos e cercas elétricas. Que valores estão norteando a vida de nossas crianças e de nossos jovens? Eles preferem um tênis novo, de marca, a um carinho nosso... Sinto falta do mundo da minha infância, quando nossos pais colocavam cadeiras na rua para prosearem com os vizinhos, enquanto nós, os filhos, nos esbaldávamos de tanto brincar até a hora inflexivelmente marcada de ir para a cama. Que saudade daquela vida simples em que podíamos ser tão felizes, sentindo-nos tão seguros, sob a vigilância amorosa e severa de nossos pais! Gostaria que alguém pudesse me devolver esse tempo tão bonito, esse mundo em que havia confiança, solidariedade e amor. Quantas noites viramos lendo romances de amor? Burlávamos a atenção de nossos pais apagando a luz cada vez que levantavam. Entretanto, se nos pegavam a ler, vinha a ordem peremptória e estraga-prazer: “Menina, apague a luz! Vá dormir! Está em fase de crescimento!” É com uma identificação absoluta que leio a frase de Arnaldo Jabor: “Vamos voltar a ser “gente”. Voltar a mostrar indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito... Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe? Precisamos tentar... Nossos filhos merecem e nossos netos nos agradecerão.” Maria Luiza Silveira Teles . 
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 00h16
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Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 11h13
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Dedução
Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente. Vladimir Maiakóvski
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 17h35
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Todos nós somos um mistério para os outros... E para nós mesmos.Érico Verissímo
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 17h26
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As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física. Friedrich Nietzsche
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 17h21
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Esta criaturinha linda é a minha neta, razão maior de minha vida. Já viram criança tão linda? Vovó coruja
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 14h00
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ESPERANÇA
ESPERANÇA
Quando vemos a noite passar
Sem que o sono venha
é porque estamos a pensar:
alguns em preocupações
outros nas dores do coração.
Quando a madrugada aponta
noite e dia se misturam
Os segredos que a ninguém se conta
Começam a gritar em nossas almas.
E a gente se põe a lembrar
De entes queridos que se foram
Da leveza da infância e da mocidade
Tudo que mora hoje na saudade.
Ah vida linda, vida louca, vida torta,
Que fizeste ao bater-me na cara tua porta?
Eu que amo passarinho, chuva, estrelas,
Flores e cheiro de terra molhada,
Eu que tenho alma de criança
Sonho, amo e não perco a esperança...
Eu que vivo como pastor da noite
A escutar sonhos, gemidos
e dores de almas alheias...
Que fizeste comigo, ó vida?
Por que me negaste
O amor com que sonhei?
Por que me deixaste
Sozinha e perdida na noite do passado
Sentindo n’alma o açoite
Do frio cortante
Da dor e da agonia?
Engolindo as lágrimas,
Preparo a face
Para o dia que se anuncia.
Encontrarei, por fim,
Em qualquer de tuas esquinas
A surpresa e o espanto
De uma sonhada alegria?
A vida prossegue
Em cascatas e remansos.
E eu acalento a esperança
De ser plena um dia...
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 02h03
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MEDO
O MEDO
Não temo a maioria das coisas que as pessoas temem. Não tenho medo da doença, pois a tenho driblado toda uma vida. Não temo a morte: para mim, ela nada mais é do que a janela para outra vida. Não temo assaltos, pois já doutrinei bandido com arma em meu estômago. Não temo perder bens materiais, porque já os perdi muitas vezes e nunca fui ligada a eles. Não tenho medo de perder entes queridos, pois sei que todas as chagas um dia cicatrizam e fica apenas a saudade. Não temo a solidão, pois gosto muito de minha companhia. Não temo luta alguma, pois, embora pacata, tenho alma de guerreira.
Mas temo as pessoas que não me olham nos olhos. Elas são perigosas, pois são falsas. Temo as pessoas infelizes, que vivem amarguradas, sempre se queixando, sem o deslumbramento diante da vida, pois costumam ser cheias de fel e derramam o seu veneno por onde passam. Temo as pessoas cheias de si, pois sabem enganar os tolos com palavras empoladas e poses de reis. Temo as pessoas usurárias, pois vivem em torno do próprio umbigo. Temo, também, as pessoas que ficam “em cima do muro”, sem jamais se posicionarem.
Não temo os animais, pois eles sabem perceber a brandura de um coração humano. Tenho medo dos homens! Da sua arrogância, da sua ambição, da sua hipocrisia, da sua raiva contida, de seus desejos frustrados, da ausência de compaixão e amor. Ah, pode haver coisa mais perigosa que um ser humano, cujo coração é um deserto, sem fontes e plantas? Há coisa pior que o desamor? Ele é o pai de todos os desatinos, de todas as guerras, de todos os relacionamentos mal-sucedidos. O desamor é perigosíssimo. Ele promove a injustiça, a desigualdade, a tirania, o apego, a usurpação das identidades, os preconceitos.
Peço sempre a Deus que perdoe essas criaturas, pois não sabem o que fazem e nem conhecem a si próprias. Entretanto, peço, também, que me livre delas, pois não lhes suporto a vibração.
Hoje, é muito comum escutarmos a frase: “O mundo está um horror!”. Mas não é o mundo! Embora ferida de morte, a Mãe-Terra continua se doando a seus filhos. Continua em sua órbita, obedecendo às leis do Universo. Todo o horror está no coração dos homens secos, áridos, impiedosos.
Amo pessoas! De toda a Criação o ser humano é a que mais me encanta. Ele é o único capaz de coisas grandiosas. Mas o temo quando ele perde a ética e vive sem Deus no coração. Quando ele perde o respeito, a dignidade, a esperança.
Entretanto, ainda não perdi a fé, pois, afinal de contas, em todos nós mora a Centelha Divina. Assim, sou uma mulher que ama a vida e vive sem medo, pois não construí minha casa sobre a areia, mas sobre a rocha. E os anjos estão sempre a me visitar. Além disso, procuro espalhar as sementes do bem e, com certeza, só poderei colher Amor.
Maria Luiza Silveira Teles
Texto
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 01h54
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MAIS UMA DESPEDIDA
Nesse fim de semana, uma ilustre montes-clarense deixou essa dimensão. A primeira jornalista- mulher que Montes Claros conheceu... Filha de famílias tradicionais, conhecidas e muito amadas. Famílias importantes na construção da História de nossa cidade: Versiani Veloso dos Anjos. É preciso falar mais? Neta de Antônio dos Anjos, sobrinha dos escritores Cyro dos Anjos e Waldemar dos Anjos. Filha de Dona Joana Versiani Veloso dos Anjos, professora conhecida e respeitada, em tempos de antanho. Partiu Sylvia dos Anjos Corrêa Machado.
Na sua humildade, ela não alardeava a inteligência brilhante, a cultura profunda, a escrita bela e escorreita. E a voz? Os mais velhos tiveram a oportunidade de apreciar a sua belíssima voz. Morreu discretamente, assim como viveu. Já andava meio morta desde o fatídico dia em que seu único filho partiu. Filho que foi meu grande companheiro. Nunca foi minha sogra porque sempre se portou para comigo como uma mãe amorosa e uma grande amiga e confidente.
Hoje, eu também me sinto meio morta. A sua ausência dói-me no mais profundo de meu ser. Dói-me a sua ausência, a saudade de sua voz, de seu carinho, de seu perfume. Será que há dor maior que a saudade de quem se ama? Foi mais um pontapé na boca do estômago que a vida me deu. Entretanto, devo confessar o consolo e o conforto de me saber amada por ela. Uma grande mulher que, silenciosamente, num maravilhoso relacionamento de almas afins, foi fazendo de mim a filha que não teve. Porque ela esteve presente em minha vida, tornei-me mais rica. Cresci espiritualmente com sua sabedoria e seu exemplo.
Mulher de fé profunda, de coragem, de grande bagagem intelectual e completo despojamento material.
O que fazer, agora, com esse vazio? Como viver sem ela, sem meu pai, sem meus companheiros, sem tantos entes queridos que, pouco a pouco, vão partindo? O espaço de cada um estará sempre presente em minh’alma. E lá estarão as feridas que, lentamente, irão cicatrizando, obedecendo às leis da própria vida.
Obrigada, Sylvia querida, por ter me feito crescer tanto como ser humano. Obrigada por seu amor e seu carinho. Você foi um anjo que deixou rastros de luz pelo caminho. Estou certa de que ninguém que a conheceu e conviveu com você deixará de agradecer ao Pai Maior por sua vida tão preciosa.
Vá em paz e, lá do céu onde você estará, porque o mereceu, peça ao Nosso Senhor para pensar a alma doída dessa filha aprendiz da vida.
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 17h29
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CAMINHO DE VOLTA
Estou fazendo fisioterapia na Avenida Ovídio de Abreu. Resolvi, no primeiro dia, ir a pé, bem cedo, aproveitando os ares da manhã, exercitando-me e fazendo um passeio por meu passado.
Cheguei a Montes Claros aos dezesseis anos e a nossa primeira casa era uma chácara, que ficava onde é, hoje, o bairro Santa Rita. Era uma casa enorme, de sete quartos, varanda ampla, ao seu redor, e muitas árvores frutíferas.
Um dos muros laterais dava para o antigo Pátio da Central do Brasil, onde residiam alguns de seus funcionários. E foi ali que eu e meus irmãos fizemos as nossas primeiras amizades.
Na minha ida não chegaria até lá, mas haveria de percorrer grande parte do caminho que fazia, outrora, em minha adolescência.
Graças a Deus conservo, ainda hoje, as primeiras amizades que fiz naquela época, ali: Milene e Miriam Carvalho, filhas de Dona Geralda e o saudoso Seu Teco, o chefe da oficina da Central; Terezinha Santos, Divina Tanure.
Na Ovídio de Abreu, moravam minhas outras amigas, Lilá e Carmem Teixeira, na casa de sua irmã mais velha, Lindaura, uma “mãezona”, que deixou-nos precocemente, aos trinta e um anos.
Na Barão do Rio Branco, fiz mais duas amigas: Iraci, que já se foi há muito, e Menininha Gonçalves, residente, hoje, no Rio de Janeiro.
Eu descia caminhando para dar aulas de Inglês no velho Instituto Norte Mineiro de Educação, respeitada instituição da época, onde agora está o colégio Indyu; no colégio Imaculada e no Conservatório, em sua primeira casa, na Coronel Prates, esquina com Getúlio Vargas.
Eu e minhas amigas descíamos com nossos sapatos de salto fino e meias de seda para o “footing” da Praça Coronel, os bailes no Clube Montes Claros e as horas-dançantes na boate da Praça de Esportes e no Automóvel Clube. Tinha, também, a missa na Matriz, que antecedia a nossa ida para a boate.
Todas nós nos arrumávamos com primor, cinturinhas de pilão, sempre marcadas por cintos e os belos vestidos godê, como se vê, atualmente, na novela “Ciranda de Pedra”. Dançávamos felizes ao som dos antigos boleros da banda “Lês Chéries”.
Quando chegávamos na Praça Francisco Sá, tirávamos as flanelinhas das bolsas para acabar com a tonelada de poeira da Ovídio de Abreu, que se acumulava em nossos sapatos. Já na volta, pés cansados, no mesmo ponto, nos livrávamos dos sapatos e seguíamos descalças até em casa. Ali, também, retocávamos a maquiagem, aguardando os olhares ardentes dos rapazes, que nos esperavam para o “footing”.
Mais tarde, passei a morar na rua Dom João Pimenta. Lá namorei e noivei com o pai de minha filha, sentados na varanda, sob os olhares cuidadosos de meus pais. Então, dava aulas no Colégio Tiradentes, logo na esquina, e fazia faculdade no colégio Imaculada.
Embora meu pai sempre tivesse carro, saíamos sempre a pé, pois tudo era muito perto.
Agora, faço o caminho de volta, passeando pelo passado, no período dos meus 16 aos 23 anos.
Saí de onde moro, na Gabriel Passos, subi a Cel. Luiz Pires, atravessei a Coronel Prates e a Afonso Pena e peguei a Dom João Pimenta, repleta de lembranças, saudade, sonhos e fantasmas.
Lá fui eu passeando. Às vezes, dava uma paradinha, com o coração aos pulos, não sei se pela idade ou pela saudade... Por todo lado, via a mocinha de cabelos negros, cheia de vida, sonhos e romantismo, devoradora de livros, ansiosa por conquistar o Saber e o mundo. Aliás, pude perceber que ela ainda não morreu, Continua bem viva dentro do meu coração.
Encontrei, feliz, alguns redutos do passado, que resistem, bravamente, aos rompantes do modernismo. Lá está o Grupo Francisco Sá, a casa de Cirênio Leite, o antigo casarão do Tiradentes, pintado de novo, lindo, lindo. Hoje, uma unidade da PMMG.
Nossa antiga casa continua incólume. Até a varanda, onde eu namorava.
A casa de Dr. Porto e Dona Dolores virou um imenso prédio. O velho consultório de Dr. Mário Ribeiro, na casa de Dona Fininha, transformou-se em um estacionamento.
E lá ia eu subindo, envolvida nas lembranças e buscando as marcas do passado. Onde a casa de João de Deus? Ah, em demolição... E a casa de Alcione? Não a reconheço. A de Geraldo Figueiredo e Elpídio da Rocha transformadas. Diferentes, adaptadas. Ah, mas lá está o Bazar Crisóstomo para a minha alegria!
E a casa de Seymando Sarmento? Virou uma clínica fisioterápica. Já a do intelectual Ataliba Machado continua lá, com um muro escondendo sua deterioração.
Vejam a casa do saudoso e querido Nathércio França, onde viveu Dona Tiburtina, em seus últimos anos! Completamente descaracterizada, assim como a Igreja Presbiteriana. Mas. lá continua o Posto dos irmãos Frota Machado. E a casa do Professor Antõnio Carlos de Souza Lima? Será aquela velhinha, escondida pelo muro?... A Praça da Estação mudou pouco, embora sem o nosso saudoso trem baiano.
Na Ovídio de Abreu, até à minha Fisioterapia, poucas mudanças. Bem, tem o asfalto novo... Deparei-me, de repente, com a casa de Lindaura, Lilá e Carmem. Pois não é que conserva a varanda e até os degraus onde nós, adolescentes, nos sentávamos para os nossos papos?!... Aí não pude conter as lágrimas.
Cheguei, por fim, ao meu destino, leve e oprimida, ao mesmo tempo A clínica era a mesma onde costumava levar meu pai, já bem idoso, para seu tratamento.
Ao sentar lá dentro, tive a nítida sensação de tê-lo ao meu lado. E as lágrimas se misturaram ao sorriso. A dor à alegria de sentir-me tão viva.
Passo a passo, segui meus próprios rastros, na certeza de que a vida vale a pena, sempre.
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 17h19
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O SILÊNCIO DA BATUTA DO MAESTRO
O SILÊNCIO DA BATUTA DO MAESTRO
Morreu Artur da Távola. Calou-se para sempre sua voz tão cheia de sensibilidade que, em seus escritos ou apresentações televisivas, nos tocava, ensinava e encantava. Aquela que traduzia o clássico em linguagem popular.
No seu último programa “Quem tem medo de música clássica?”, olhei triste seu rosto abatido e, temerosa de que a morte se avizinhasse, fui tomada de emoção, pois não conseguia imaginar o momento de não tê-lo mais entre nós. Era uma premonição ou constatação, não sei...
E, no dia nove de Maio, seu espírito deixou seu corpo, enquanto dormia.
Costumo dizer que poucas pessoas merecem morrer dormindo. E, com certeza, ele era uma destas. Exemplo de ser humano, de cidadão, de político correto, em um tempo em que os indivíduos de caráter parecem ser uma rara exceção.
Sempre haverei de lembrar-me dele ao ouvir os clássicos. As palavras ária, sonata, piano, pianíssimo, allegro, cantante, e outras tantas do ramo haverão de remeter-me às suas belas lições, às suas análises criteriosas das músicas, que tanto mexiam com a sua e a nossa emoção.
Eu o admirava muito como jornalista, cronista, político e, ultimamente, como apresentador e analista musical. Aprendi muito com ele e as palavras com que terminava sempre o seu programa estarão caladas dentro de mim: “Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padece ou padecerá de solidão.”
Recebendo pela televisão a notícia de sua partida, repeti o que costumo dizer quando morre alguém extraordinário: “Existem homens que jamais deveriam morrer.” Mas, pensando bem, qual o grande homem que morre, realmente? Todos eles deixam rastros de luz em nossos caminhos e, assim, vivem para sempre.
Acho que meu comentário usual deveria mudar para a constatação de que certos homens não morrem nunca. O certo, provavelmente, é dizer como o nosso grande autor do sertão, Guimarães Rosa: não morrem, “ficam encantados”. Assim, posso dizer que Artur da Távola “ficou encantado”. Em outras paragens, ele estará, decerto, despertando a sensibilidade daqueles que partiram sem alcançar a plenitude de sua humanidade.
Ah, meu prezado maestro, sentirei muito sua falta, mas pode ter certeza que, também, por ter lido seus livros, seus artigos, ouvido seus belíssimos comentários sobre Beethoven, Mozart e outros tantos, tornei-me uma pessoa melhor e cresci muito como ser humano. Você, em sua simplicidade, provavelmente, nem sabia que iluminava a vida de tantos.
Também porque o conheci e, junto com você, continuando as lições que recebi de meu saudoso pai, aprendi, mais e mais, a amar a música e sei que, desta forma, jamais haverei de padecer de solidão.
Enquanto existir a música, as auroras e crepúsculos, os amores e desamores, encontros e desencontros e meu coração continuar batendo, com a emoção tomando conta de meu ser, serei muito rica de vida interior. Poderei, inclusive, ouvir as músicas das esferas celestiais e, até nos meus silêncios, estarei ouvindo os sons da Divindade.
Sabe, grande maestro, repetindo palavras suas, citando não me lembro quem, devo dizer-lhe: “A dor da gente não sai no jornal”. E a minha dor pelo silêncio de sua batuta não pode ser traduzida em pobres palavras de jornal. Mas ficam aqui registradas.
E, como diz o Pe. Fábio de Melo, brincando com o poema de Drummond: “A festa acabou, a luz apagou e, agora, é você e Deus”. E Deus, certamente, gostará de ter em seu regaço um grande homem, um filho muito amado, que soube perseguir a Sua Luz e dignificar a arte e a política.
Maria Luiza Silveira Teles
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 15h21
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De escritores e seus escritos
De escritores e seus escritos
 07/05/2008 - 14h33m
Desde criança, sou leitora compulsiva. Entretanto, recuso-me sistematicamente, a ler subliteratura. Sou apaixonada pelos bons autores, aqueles que nos envolvem, nos tocam e nos fazem entrar dentro de suas histórias. Aqueles que escrevem com sentimento, elegância, prumo, coesão, tecendo o texto numa teia rendada. O mau livro simplesmente o descarto, tão logo perceba sua falta de qualidade.
De “uns três meses para cá, entre as minha últimas leituras, “Travessuas da Menina Má” de Vargas Llhossa”, Anjos e Demônios, de Dan Brown, “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini, “Kadji Murat”, de Tolstoi, “Amo, Logo Existo”, de Miguel Amir Araújo, “ A Abelhinha Zunita”, de Miriam Ramoniga, “Ser Como o Rio que Flui”e “Zahir,” de Paulo Coelho, andei fazendo alguns intervalos para deliciar-me com os autores da terra.
Explico: “Cantar de amiga”, de minha tia Yvonne Silveira, “Luan, Luar, o monge”, de minha amiga Maria das Dores Câmara, “Os Olhos Tristes de Ulisses”, de Lipa Xavier, “ Amo, Logo Existo”, do poeta, educador e filósofo, Miguel Almir Araújo, “A Abelhinha Zunita” da advogada catarinense Miriam Ramoniga, eu os li para prefaciá-los. Mas, sou obrigada a confessar que o fiz com o maior deleite, pois são todas elas obras de alto nível. Li, também, nesse ínterim, “ Reminiscências de uma vida”, de Juvenal Caldeira Durães, “Menino Pescador”, de Reivaldo Canela, e, por agora, “ Montes Claros – Retratos Poéticos”, das duas grandes artistas Ângela Martins Ferreira e minha doce prima Karla Celene Campos.
Devo reconhecer que estes livros dos autores da terra são literatura diamantina. É com grande alegria que vejo, cada vez mais, aumentar a excelência de nossa literatura regional.
Karla e Ângela não me surpreenderam, pois, gozando de sua intimidade, sei bem do quilate artístico de ambas, cada qual em sua área.
No entanto, apesar de tê-los em conta de grandes amigos, Reivaldo e Juvenal não deixaram de me causar espanto. Isto porque, mesmo sabendo do bom cronista e poeta que é Reivaldo, não esperava que se mostrasse um memorialista de tão boa cepa. Já o Juvenal, meu amigo e colega, foi a surpresa mais impactante. Quando eu poderia esperar que o velho professor guardasse tantos tesouros para só nos permitir conhecê-los já beirando os seus oitenta anos?! Incrível, realmente incrível! Ele tem, sem dúvida, a tarimba de um antigo profissional das letras.
E Lipa?! Já sabia que ele era um pessoa culta, com uma formação literária consistente. Mas, contista? ... Que maravilhosa surpresa! O nosso querido e admirável político, é, também, um contista à altura de Tchecov, que, para mim, é um dos melhores contistas da literatura universal. Os livros de Juvenal, de Reivaldo, de Lipa, de Ângela e Karla, sem dúvida, serão jóias preciosas, para quem, no futuro, quiser saber das belezas e da história deste querido e amado sertão.
Vamos lá, minha gente! Vamos alçar vôos mais altos, pois vocês merecem e têm talento para tal. Não temam em se expor. Não guardem para si obras de tamanho bom gosto.
Hoje, com o domínio da internet e as multiplicidade de blogs e sites, todo mundo pensa que sabe escrever. Mas, escrever não é tão simples: é preciso talento, formação e muita leitura. Escrever é uma arte, que exige um exercício constante. E, mesmo tendo talento, é necessário que os frutos amadureçam para que não deixem travo na boca. Antes de publicar uma obra é preciso ler, reler, e submetê-la ao parecer daqueles que, reconhecidamente, são experientes no assunto.
Aliás, é bom que fique claro: eu não sou nenhuma expert. Apesar de estar partindo para minha vigésima nona obra, continuo aprendiz. No entanto, depois de ser consultora editorial de uma das mais conceituadas editoras do país e viver a devorar boas obras, acredito que sei distinguir o cascalho do diamante, o joio do trigo.
Penso que alguns escritores primam pelo excesso de humildade, como é o caso de nosso estimado Reivaldo; já outros se vestem de pavões, orgulhando-se de meros excrementos literários. É necessário que saibamos rejeitar aquilo que não nos engrandece.
E, ainda, nós que militamos nas letras, devemos nos lembrar do provérbio oriental “se o coração não estiver aberto, o olhar não pode enxergar”. Aliás, a nossa estrela de primeira grandeza, Karla Celene, nos fala em seus versos; “Louvado seja o olhar que registra”. Mas esse registro deverá partir de um coração aberto, sensível, de uma rica imaginação e de uma linguagem escorreita.
Parabéns a todos esses grandes escritores da terra, que nos encantam e enriquecem com a beleza e substância de suas escrituras.
Que os bons não vejam a hora da partida, sem ter deixado seu registro para a posteridade. Ainda bem que, para que isso não aconteça, temos aí grandes intelectuais da estirpe de Wanderlino Arruda, Yvonne de Oliveira Silveira, Dário Cotrim, Petrônio Braz e o poeta Aroldo Pereira, a zelar pela qualidade de nossos registros literários.
P.S.: Não se sintam excluídos os autores sobre os quais eu não falei. Apenas eu me referi às minhas últimas leituras.
Escrito por Maria Luiza Silveira Teles às 12h46
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